domingo, 29 de junho de 2014

Parabéns pelo aniversário de 60 anos, Maestro!



Hoje, dia 29/6, Júnior, um dos maiores jogadores da história do Flamengo faz 60 anos. Nasceu na Paraíba, mas é carioca de coração e também aprecia um bom samba. É o craque que mais vezes vestiu o Manto Sagrado, que considera a sua segunda pele: atuou pelo rubro-negro em 876 partidas em dois períodos: entre 1974 e 1984 e entre 1989 e 1993.
Júnior fez parte da geração mais vitoriosa da história do Flamengo. Logo no seu primeiro ano na Gávea, junto com craques como Zico, Geraldo e Jaime, atuando ainda na lateral direita, Júnior conquistou o campeonato Carioca de 1974. Na última partida do terceiro turno do Campeonato Carioca, o América abriu o placar com Alex. Junior empatou com um golaço da intermediária e Zico virou para o Flamengo com lindo gol de falta.
No outro confronto contra o alvirrubro tijucano pelo triangular final da competição, Junior foi mais uma vez decisivo. Jayme fez um 1 a 0 para o Mengão após cobrança de escanteio e Junior ampliou ao encobrir o goleiro adversário com mais um golaço. O América diminuiu, mas o Flamengo venceu por 2 a 1.
A final do Campeonato foi contra o Vasco e o Flamengo conquistou o título com o empate em 0 a 0, dando início às glórias de Zico e Junior como profissionais e defensores incansáveis do Manto Sagrado.
Passando a atuar na lateral esquerda em 1976, Júnior dava um show de técnica e raça e se tornou um dos maiores jogadores da posição, o melhor que vi jogar . Júnior fez parte do grande time rubro-negro do fim da década de 1970 e inicio dos anos 80 e junto com craques como Zico, Raul, Adílio , Andrade e Tita (e a partir de 1980 tendo também como companheiros Mozer e Nunes)  conquistou o tricampeonato carioca (1978-1979 -1979Especial ), três títulos Brasileiros (1980-1982-1983 ) e o Campeonato Carioca , a Libertadores e o Mundial em 1981. Júnior atuou ao lado de ótimos laterais direitos formando dupla primeiro com Toninho até o Brasileiro de 1980 e também com Leandro, o melhor da história do clube , dando ofensividade ao time rubro-negro, o que foi fundamental para as maiores conquistas da história do Flamengo.
Júnior também atuou na Seleção Brasileira, defendendo o Brasil nas Olímpiadas de 1976 e nas Copas do Mundo de 1982 e 1986. Na Copa do Mundo de 1982, atuando com os companheiros de Flamengo Zico e Leandro e craques como Sócrates, Falcão e Cerezo, Júnior fez parte de uma equipe fantástica e marcou um lindo gol contra a Argentina.
Outro lance de Júnior que me marcou muito foi o  passe de canhota dado pelo grande camisa 5 para Zico marcar o primeiro gol do Mengão na vitória por 3 a 0 sobre o Santos na conquista do Tricampeonato Brasileiro em 1983 (os outros gols foram marcados por Leandro e Adílio).
Junior foi vendido para o Torino no ano seguinte e também jogou pelo Pescara em terras italianas.
Júnior voltou à Gávea em 1989 para satisfazer o desejo do filho Rodrigo, que queria vê-lo jogar com a camisa do Flamengo no Maracanã. Passou a atuar no meio-campo e mais uma vez foi vitorioso.
Em 1990, o Mengão ganhou a Copa do Brasil ao derrotar o Goiás por 1 a 0 (gol de Fernando).
Em 1991, com Gilmar no gol e contando com o talento de Marcelinho e Paulo Nunes e Djalminha e nomes como Charles Guerreiro, Gottardo, Junior Baiano, Piá, Nélio, Uidemar, Gaúcho e Zinho, o Flamengo conquistou o Campeonato Carioca, vencendo o Fluminense por 4 a 2 na final (gols de Uidemar, Gaúcho, Zinho e Júnior para o Mengão e Ézio para o Flu).
No ano seguinte, o Flamengo sagrou-se Pentacampeão Brasileiro. A disputa do título foi contra o Botafogo e o Mengão venceu o primeiro jogo da final por 3 a 0. Júnior, o maestro do time aos 38 anos, deu um chutaço de primeira e abriu o placar. Nélio, o camisa 10 da equipe, marcou o segundo gol chutando entre as pernas do goleiro alvinegro, Ricardo Cruz, e Gaúcho, de cabeça, fez o terceiro. Com o Maracanã lotado pela torcida rubro-negra, o segundo jogo da final ficou marcado pela queda de parte da grade da arquibancada mantando três torcedores e ferindo mais de 90 pessoas. Mas felizmente nem tudo foi trágico. Flamengo e Botafogo empataram em 2 a 2. Júnior fez um golaço de falta antológico comemorado com euforia e paixão e Júlio César fez o segundo do Fla. (Pichetti e Valdeir marcaram para o Bota). A conquista do Penta coroou a carreira de Junior com o manto sagrado e foi muito marcante na minha adolescência. Confesso que não vi um dos jogos da final para ir ao aniversário de uma amiga e já saí da boate onde a festa foi realizada comemorando a conquista!!
Depois de abandonar os gramados em 1993, Junior ainda demonstrou categoria e vitalidade com inúmeras conquistas no Beach Soccer e hoje trabalha como comentarista de TV.
Muito obrigada por tudo, Maestro. Parabéns pelos 60 anos! Desejo que você tenha sempre muita saúde, paz e sucesso! Fiquei muito feliz em ao ganhar uma duas camisas autografadas por você numa promoção do facebook ano passado, uma do Penta e outra da Seleção de 1982, com a qual assisto aos jogos do Brasil na Copa de 2014 . Espero que um dia eu tenha a honra de apertar sua mão e lhe pedir um autógrafo. Ainda tenho esperança de realizar o sonho de conhecer esse grande craque da história do Mengão.

Fontes de consulta:
Filho, Paschoal Ambrósio. 6X Mengão. Rio de Janeiro: Editora Maquinária, 2010.
Junior. Minha paixão pelo futebol. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2010.
Júnior, Celso e Vaz, Arturo. Fla-Estatística. Endereço: http://www.flaestatistica.com.
http://www.flamengo.com.br/site/perfil/detalhe/53/junior?idolo=1



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Aulas particulares de português e inglês

Dou aulas de português (redação, gramática e interpretação de texto) e inglês (gramática, interpretação de texto e conversação) . Aulas por e-mail ou na minha casa no bairro da Tijuca no Rio. R$ 50 por hora de aula. Contato: rechrisb@gmail.com

terça-feira, 13 de maio de 2014

Homenagem a Cláudio Adão


Cláudio Adalberto Adão nasceu no dia 2/7/1955 em Volta Redonda. Artilheiro nato e ótimo finalizador, Cláudio Adão iniciou a carreira no Santos em 1972 chegando a jogar com Pelé. Cláudio Adão marcou 83 gols em 153 partidas defendendo o Manto Sagrado em duas passagens pelo Flamengo: a primeira mais marcante entre 1977 e 1980 e a segunda durante o Campeonato Carioca de 1983.

Cláudio Adão estreou pelo Mengão em 1977 em um Fla-Flu em que o Flamengo venceu por 2 a 1 com dois gols de Tita. Em outro Fla-Flu no mesmo ano o camisa 9 marcou dois gols — sendo o segundo um golaço no ângulo — e o Mengão venceu o Tricolor por 2 a 0.

Cláudio Adão foi fundamental para a conquista do terceiro tricampeonato carioca da história rubro-negra (1978-1979 Especial e 1979) formando ótima parceria com Zico. Na estreia do Campeonato Carioca de 1978, o Flamengo goleou o São Cristovão por 6 a 0 com dois gols de Zico, dois gols de Adão, um de Cléber e outro de Adílio. Na partida seguinte, o Mengão venceu o Campo Grande por 5 a 0. Adão marcou três gols, sendo dois de cabeça, valendo destacar a linda jogada de Zico no segundo gol de Adão. Zico e Júnior completaram o placar. Adão também fez dois gols na vitória por 2 a 1 sobre o Madureira, recebendo passe de Zico no segundo gol. No jogo seguinte, o Flamengo venceu o Bangu por 3 a 0 com um gol de Adão e dois de Zico. Adão fez gols com passes de Zico nos empates em 2 a 2 com o América e em 1 a 1 com o Botafogo . Na goleada de 5 a 2 no jogo contra o Campo Grande, Zico fez três gols, Adão marcou de meia bicicleta e Adílio completou o placar. No Campeonato Carioca do mesmo ano, o Flamengo derrotou o Flu por 4 a 0. Em jogada envolvente, Adílio, Zico e Tita tocaram a bola como só os grandes craques fazem. Zico e Cláudio Adão tabelaram e o eterno camisa 10 da Gávea marcou o primeiro. Carpegiani tocou para Zico, que deu passe para Cláudio Adão fazer o segundo. Toninho deu passe para Zico, que pegou de primeira e marcou o terceiro gol rubro negro com muita categoria. Tita, Carpegiani e Toninho trocaram passes e Cláudio Adão marcou mais um e decretou a goleada. O Flamengo goleou ainda a Portuguesa por 9 a 0 (com dois gols de Adão, três de Marcinho, dois gols de Zico, um de Cleber e outro de Júnior) e decidiu o título contra o Vasco. Na final contra o Vasco, Zico bateu o escanteio com perfeição e Rondinelli cabeceou com força para a rede cruzmaltina aos 42 minutos do segundo tempo. Zico, Adão e Dinamite dividiram a artilharia da competição com 19 gols cada um. Começava o período mais glorioso da história do Flamengo.

Houve dois campeonatos cariocas em 1979 e, em fase espetacular, o Mengão venceu ambas as competições.

Na primeira, chamada de Campeonato Carioca Especial, Zico deu show e Cláudio Adão fez o primeiro na vitória por 2 a 0 contra o Volta Redonda (Reinaldo marcou o outro gol rubro-negro ) e marcou no empate em 1 a 1 no Fla-Flu . O Flamengo empatou com o Botafogo em 2 a 2 na final do Campeonato Especial com dois golaços de Zico, artilheiro da competição com 26 gols.

Vale destacar ainda que em abril de 1979, houve um amistoso entre Flamengo e Atlético-MG em que Pelé vestiu a camisa 10 rubro-negra no primeiro tempo e Zico jogou com a camisa 9. O Flamengo venceu por 5 a 1 com três gols de Zico (um de pênalti e dois golaços), um de Luisinho e outro de Adão, que recebeu lançamento de Júnior e marcou belo gol fechando a goleada.

No segundo Campeonato Estadual daquele ano, vale destacar os gols de Cláudio Adão na vitória por 3 a 0 contra o Olaria, na goleada de 5 a 0 contra o Bonsucesso (dois gols de Zico, um de Cláudio Adão, um Tita, um de Adílio) e no empate em 1 a 1 contra o Vasco. Mesmo desfalcado do Galinho de Quintino, que marcou 34 gols em 25 partidas naquele ano apesar de não ter jogado o terceiro turno, o Flamengo venceu o Vasco por 3 a 2 , dois gols de Tita e um contra de Ivan, e empatou com o Botafogo em 0 a 0, sendo tricampeão carioca com uma rodada de antecedência. Entre 1978 e 1979, o Flamengo ficou 52 jogos invicto.

Depois de deixar o Flamengo em 1980, Cláudio Adão jogou no Botafogo, Fluminense, Vasco, Portuguesa, Corinthians, Bangu, Bahia, Cruzeiro, Campo Grande, Ceará, Santa Cruz, Volta Redonda, Rio Branco -ES e Desportiva Capixaba. Adão também foi campeão carioca pelo Fluminense (1980), Vasco (1982) e Botafogo (1989) e artilheiro do campeonato carioca em 1980.

Depois de pendurar as chuteiras em 1996, Cláudio Adão jogou na Seleção Brasileira de Beach Soccer e no time de Masters do Flamengo. Em 1997, Adão iniciou a carreira de treinador e comandou o time de sua cidade natal em 2006 e atualmente é técnico do Mixto.

Obrigada por tudo que você fez pelo Flamengo, Cláudio Adão!

Fontes:

Vaz, Arturo e Júnior, Celso. Acima de tudo rubro-negro: a história do C. R Flamengo. Rio de Janeiro: Paju Editora, 2008, pp. 188-199.






https://www.youtube.com/watch?v=ksBPKcAyjZE

 

 

 

sábado, 3 de maio de 2014

Resenha de O professor, de Cristovão Tezza (Editora Record)

Em O professor, novo romance de Cristóvão Tezza, Heliseu, um renomado professor de gramática histórica relembra sua vida no dia em que vai receber uma homenagem na universidade em que leciona.
Mas a construção do romance não é a de uma narrativa em primeira pessoa convencional e linear: é em meio às lembranças do professor Heliseu que o leitor vai montando o quebra cabeça da narrativa e reconstruindo a trajetória e a personalidade do protagonista: a relação com o pai austero, a morte da mãe, o casamento com a bancária Mônica, a relação conturbada com o filho Eduardo, o relacionamento com a bela e misteriosa Therèze.
Nesse jogo entre passado e presente, Tezza dialoga com a historia do Brasil  e lança também mão de trechos de um português arcaico dando um sabor diferente ao romance.
Além disso, o tom da narrativa não é confessional  e deixa alguns mistérios na cabeça do leitor: o não dito ganha espaço não só na tese de Theréze, que trata da ironia e do não dito no português falado no Brasil, mas também no próprio discurso de Heliseu. Não me aprofundo nessa questão para não estragar a surpresa do leitor do meu blog.
Com essa linguagem e discurso memorialístico mais complexo, Tezza retoma o tema do conflito entre pai e filho existente em O filho eterno de modo mais cortante e cínico com menos espaço para a tolerância. Se no romance de 2007 há redenção na relação entre o pai e o filho com Síndrome de Down , na narrativa mais recente o conflito em família atravessa gerações, sendo discutidos no livro do escritor tema do homossexualismo e do casamento de uma perspectiva mais opressora.

O jogo da memória e de linguagens tecido por Tezza torna o romance atraente para o leitor que busca ter o prazer de montar a narrativa e ver com novo olhar a história e a língua portuguesa repensando os meandros e os mistérios da língua, do tempo e da natureza humana.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Resenha do livro Simplesmente Zico, de Priscila Ulbrich (Editora Contexto)

           O livro Simplesmente Zico, de Priscila Ulbrich do blog Donas da Bola reúne depoimentos sobre Zico. Ex-jogadores de futebol, treinadores, locutores, atletas de outros esportes como vôlei, basquete e remo, artistas, músicos, jornalistas e torcedores escreveram textos homenageando o maior jogador da história do Mengão e confirmaram o que eu já sabia: Zico é unanimidade tanto pelo talento dentro de campo quanto pelas atitudes fora dele. Rubro-negros ou não, todos elogiam o grande gênio da bola e a humildade e o caráter de Zico.
            Fiquei emocionada ao ler os depoimentos de grandes ídolos do Flamengo e companheiros do Galinho no Mengão como Adílio, Junior, Nunes, Rondinelli, Raul e Vitor, cada um me revelando uma jogada ou detalhe da vida de Zico que eu desconhecia ou de que não me recordava.
            Me identifiquei com a paixão e a emoção de torcedores do Flamengo e de outros times rivais como Vasco, Flu, Grêmio, Bahia, São Paulo, Atlético-MG e até do Fenerbahçe ao falarem de Zico e sonharem encontrá-lo pessoalmente, prova de que a admiração por um grande ídolo está acima da rivalidade clubística e não tem fronteiras. Só mesmo Zico e a magia do futebol são capazes de tal proeza.

            Jornalistas, treinadores e ídolos do futebol como Tarafel, Falcão, Roberto Dinamite, do vôlei como Nalbert, Virna e Carlão e do basquete como Oscar e Paula também deixam depoimentos de muito respeito, amizade e admiração pelo Galinho nas páginas do livro, revelando as várias facetas do eterno camisa 10 da Gávea: craque, amigo, treinador, atleta exemplar e o homem generoso capaz de dar autógrafos aos fãs com paciência e carinho. Um golaço em homenagem a Zico. Parabenizo a Patrícia Ulbrich e o blog Donas da Bola pela iniciativa de referenciar nosso grande camisa 10 e a Editora Contexto por publicar este livro. Parabéns e muito obrigada por tudo, Zicão. 

domingo, 13 de abril de 2014

Mengão Campeão Carioca 2014

Depois de empatar com o Vasco em 1 a 1 na primeira partida da final (gol de Rodrigo para o vice e golaço de fora da área de Paulinho para o Flamengo), o Mengão conquistou o 33º título do Campeonato Carioca após novo empate em 1 a 1 na grande final contra os cruzmaltinos.
 Se o primeiro tempo não foi tão disputado como no primeiro jogo , já que o Vasco tentava atacar, mas o time rubro-negro não foi tão ofensivo como de costume por ter a vantagem do empate, no fim do segundo tempo não faltou emoção. O zagueiro Chicão do Flamengo foi expulso junto com André Rocha do Vasco e Jayme colocou  Erazo em campo. O zagueiro equatoriano fez pênalti em Pedro Ken e Douglas bateu abrindo o placar para os cruzmaltinos aos 30 minutos. Aos 45 minutos, Léo Moura cobrou escanteio e Wallace cabeceou para o gol, a bola bateu no travessão, Márcio Araújo empatou o jogo e garantiu o título rubro-negro mesmo em impedimento. Não importa. Ganhei meu presente de aniversário hoje e toda a Nação comemora mais um campeonato contra o eterno vice carioca. É CAMPEÃO!
Valeu , Mengão!! Agora é se preparar para a estreia no Brasileiro contra o Goiás no domingo de Páscoa e para a disputa da Copa do Brasil.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Nélida Piñon: a voz que narra no escuro

A palestra sobre a criação literária dada pela escritora Nélida Piñon  hoje na ABL e transmitida ao vivo pelo site da Academia foi muito interessante. A escritora carioca fez uma  instigante reflexão sobre a literatura, o trabalho do escritor e questões ligadas à escrita ficcional. O que faz alguém ser escritor? Como se constroem as personagens?
Nélida iniciou a fala ressaltando a importância do escritor (re)pensar seu próprio fazer literário. Nélida tratou da paixão pela literatura ,  pela ''aventura de ler e escrever '' que a fez ser escritora e do desejo que o escritor tem de narrar a vida do outro no meio do caos da vida e da literatura. À primeira vista pode-se considerar estranha essa noção de caos da vida e da literatura. Mas é só pensar em livros de escritores como Clarice, Autran Dourado e Dostoiévski e mesmo Shakespeare e Machado para ver que os grandes livros são os que tiram o leitor do chão, o fazem repensar a vida e o mundo além de causar uma emoção seja ela de riso, dor , raiva ou perplexidade. 
Nélida também  destacou a paixão pela tradição clássica, a importância que a leitura tem na vida do escritor. A autora de Vozes no deserto tocou em  pontos vitais : os clássicos da literatura podem ser lidos por leitores de diferentes épocas e culturas, são universais e  ninguém escreve sem levar em conta a tradição literária.  Cada leitor e escritor dá sua própria contribuição à interpretação do texto literário e cada autor cria uma nova versão da realidade. O jogo fascinante da intertextualidade garante a perenidade da literatura. 
A escritora carioca também tratou da importância do trabalho do escritor com  a linguagem para escapar da banalidade da trama das narrativas e torná-las interessantes e fazendo-as ganhar um caráter literário.  Realmente não vejo graça em ler um livro puramente comercial que não mexa com as convenções da língua e da própria teoria literária e não traga nada de novo .
A construção da personagem foi outra questão abordada por Nélida. É muito interessante a ideia de que um personagem é a soma de traços de várias pessoas, o que também explica a universalidade da literatura.  
É a paixão do leitor- escritor em narrar a vida do outro , reler ativamente a tradição literária, transformar a linguagem para construir um novo mundo povoado por personagens universais e de deixar marcas no mundo que o faz escrever e mantém acesa a chama da literatura.